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domingo, 2 de dezembro de 2007

Por que se chamava?


Porque se chamava moço também se chamava estrada. Porque a estrada é um caminho longo demais pra ir a pé. Porque a estrada não é de tijolos amarelos. Porque se chamava homem também se chamava sonhos. Porque é de se sonhos que se faz a noite. Porque a noite é uma criança. Porque a mão-de-obra é bem paga. Porque tá longe de pendurar as chuteiras. Porque é Rio de Janeiro. Porque o compasso é régua. Porque o caminho é meu. Porque basta contar consigo. Porque lá se vai mais um dia...

Canção: Clube da Esquina II
Cantor: Flávio Venturini
Composição: Milton Nascimento/Lô Borges/M.Borges

Por que se chamava moço / Também se chamava estrada / Viagem de ventania / Nem lembra se olhou pra trás /Ao primeiro passo, aço, aço....
Por que se chamava homem / Também se chamava sonhos /E sonhos não envelhecem /Em meio a tantos gases lacrimogênios /Ficam calmos, calmos / E lá se vai mais um dia...
E basta contar compasso /e basta contar consigo /Que a chama não tem pavio /De tudo se faz canção /E o coração /Na curva de um rio, rio...
E o Rio de asfalto e gente /Entorna pelas ladeiras /Entope o meio fio /Esquina mais de um milhão /Quero ver então a gente, gente, gente...

domingo, 25 de novembro de 2007

Irreais... Expectativas desleais

Depois do passado, vem o presente. Essa talvez seja uma das frases mais óbvias já escritas por aqui. E depois do presente, o que vem? Vem o futuro, é claro! Mas aí ele já não é presente? Deixo a obviedade de lado. Ou não? Bom, chegada a conclusão de que o futuro nunca vem, a busca é pelo passado. Onde se dá o limite entre passado e presente? Quando o presente vira passado e quando o passado ainda é presente? Talvez haja pontos de interrogações demais nesse início de texto. Vamos às exclamações! Uma já foi... Vendo o Passado, se percebe o quanto as pessoas gostam de tornar a vida mais problemática do que ela já é. Pra que facilitar se se pode complicar? Se o futuro nunca chega, e o passado nunca sai, aonde entra o presente? No Natal, diria um comediante sem graça. No Aniversário eu responderia... O que leva uma pessoa sem nada pra dizer a dizer coisas que são nada? Não se sabe a resposta, mas o fato de saber a pergunta já é um começo. Voltando a vida, a busca é pelo facilitamento. Pelo enfrentamento do complicado. Pelo livramento dos problemas. Pelo não cumprimento do alheio. Pela autonomia do ser. Toda expectativa é desleal. Se a expectativa tá no futuro e o futuro nunca chega... Irreais! Se há os dependentes e os dependidos; e o aparte? Boa Sorte!

Canção: Boa Sorte / Good Luck
Cantores: Vanessa Da Mata e Ben Harper
Composição: Vanessa da Mata
CD: Sim (2007)

Tudo o que quer de mim/Irreais/Expectativas/Desleais

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Quem canta, reza duas vezes...

Canção: Oração ao Tempo
Composição: Caetano Veloso
Cantor: Caetano Veloso
CD: Homem Cinema Transcendental - A outra banda da Terra (1979)

És um senhor tão bonito / Quanto a cara do meu filho /Tempo tempo tempo tempo /Vou te fazer um pedido /Tempo tempo tempo tempo /Compositor de destinos /Tambor de todos os ritmos /Tempo tempo tempo tempo /Entro num acordo contigo /Tempo tempo tempo tempo
Por seres tão inventivo / E pareceres contínuo /Tempo tempo tempo tempo / És um dos deuses mais lindos / Tempo tempo tempo tempo / Que sejas ainda mais vivo /No som do meu estribilho /Tempo tempo tempo tempo /Ouve bem o que eu te digo /Tempo tempo tempo tempo /Peço-te o prazer legítimo /E o movimento preciso /Tempo tempo tempo tempo / Quando o tempo for propício /Tempo tempo tempo tempo /De modo que o meu espírito /Ganhe um brilho definitivo /Tempo tempo tempo tempo /E eu espalhe benefícios /Tempo tempo tempo tempo /O que usaremos pra isso /Fica guardado em sigilo /Tempo tempo tempo tempo /Apenas contigo e comigo /Tempo tempo tempo tempo /E quando eu tiver saído /Para fora do teu círculo /Tempo tempo tempo tempo /Não serei nem terás sido /Tempo tempo tempo tempo /Ainda assim acredito /Ser possível reunirmo-nos /Tempo tempo tempo tempo /Num outro nível de vínculo /Tempo tempo tempo tempo /Portanto peço-te aquilo /E te ofereço elogios /Tempo tempo tempo tempo /Nas rimas do meu estilo /Tempo tempo tempo tempo

As Aventuras de Nanico - Episódio 3: Em busca da hora perdida

Pois é, dessa vez Nanico se fudeu legal! Logo você Nanico, sempre controlador de seu próprio tempo, foi cair nessa besteira... Faça mil favor - já diria a sábia vózinha do nosso pequeno grande herói. E quem não faria mil favôs àquela pobre velhinha... Mas não tente fugir... Nada de voltar no tempo, Nanico. Não adianta chorar o leite derramado. Sua hora já passou e você nem viu... E agora, o que fazer? Nanico é burro, Nanico não sabe. Nanico nunca dorme, mas dessa vez Nanico dormiu e quando viu: cadê a hora? A hora, Nanico? Cadê? Já foi... Já havia passado. Te roubaram uma hora, Nanico, e você nem viu... Maldito tempo! Quem inventou esse negócio de hora é gênio mesmo... Ou é anta! Nanico não vive sem relógio, mas de que adianta o relógio, se quando querem lhe roubam uma hora e ele nem vê? Vês, Nanico? Buscas a tua hora... Mas que hora perdida é essa? Se o mundo continua girando da mesma maneira... sempre ao redor de Nanico! Como essa hora pôde passar por Nanico e Nanico não a pôde sentir? Ver, perceber... Verdade, verdade... Nanico é lento... Nanico controla o tempo, sem saber que o tempo lhe controla... E quem não controla Nanico? E quem não controla, Nanico? Pois é, segue teu caminho, vai em busca de tua hora perdida. Ou aprenda a viver sem ela! Sabes onde encontá-la? Pois segue teu rumo... Pede pra cagar e vai embora... Vai ser droit na vida! (...) Nunca serão!

domingo, 23 de setembro de 2007

As Aventuras de Nanico - Espisódio 2: Acorda, Nanico!

Nanico sempre teve problemas com insônia. Na verdade, a insônia nunca foi seu problema. Insônia para Nanico era solução. O pior era quando o sono vinha, mas esquecia de trazer a vontade de dormir. Dormir sempre foi perda de tempo para nosso pequeno herói. Nanico sempre gostou de ter tudo ao seu controle; dormir era perder mais que sempre o controle de si. Quando dormia, Nanico não podia pensar. E sem pensar, Nanico não era. Quem era Nanico? Nanico pensava todas as noites. E todos os dias. Mas Nanico sempre se esquecia. Só que nem só de pensamento vive Nanico. Às vezes, Nanico dormia também. E como Nanico dormia. Nanico dormia muito. Mas Nanico acordava. Ele sempre acordava. Nanico dormia de olhos abertos e acordava piscando os olhos. Engraçado como Nanico nunca soube quando dormia e quando acordava. Nanico é burro e nem sabia que pensava mesmo dormindo. Nanico nunca confundiu as coisas. As vezes, se deixava levar, mas sempre sabia que estavam levando. Ou pelo menos, pensava que sabia. Nanico sempre sabe das coisas. Nanico não precisa se apresentar. Nanico se apresenta. Nunca há decepção se não há expectativa. E Nanico acordava. Nanico sempre acorda. Nanico nunca confundiu as coisas. E desconfundiu tudo mais uma vez. Nanico sonha, realizando e realiza, sonhando. Dorme acordado, mesmo com insônia. Insônia pra Nanico nunca foi problema, sempre foi a solução. E Nanico foi dormir mais uma vez...

domingo, 9 de setembro de 2007

"Tudo bem... Até pode ser que os dragões sejam moinhos de vento"

Canção: Dom Quixote
Grupo: Os Mutantes

A vida é um moinho/É um sonho o caminho/É do Sancho, o Quixote/Chupando chiclete/O Sancho tem chance/E a chance é o chicote/É o vento e a morte/Mascando o Quixote/Chicote no Sancho/Moinho sem vinho/Não corra me puxe/Meu vinho meu crush/Que triste caminho/Sem Sancho ou Quixote/Sua chance em chicote/Sua vida na morte/Vem devagar/Dia há de chegar/E a vida há de parar/Para o Sancho descer/E os jornais todos a anunciar/Dulcinéia que vai se casar/Vê, vê que tudo mudou/Vê, o comércio fechou/Vê e o menino morreu/E os jornais todos a anunciar/Armadura e espada a rifar/Dom Quixote cantar na TV/Vai cantar pra subir

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

As Aventuras de Nanico - Episódio 1: Na Nicovia

Houve um dia, que ao invés de parar e pensar como ele fazia sempre, Nanico resolveu pensar e parar. E parou, mas não sem pensar como sempre fizera antes. Mas dessa vez era diferente, assim como todas as outras vezes. O que acontece é que Nanico não só parou, mas ao parar também andou, voou pra longe e foi parar não se sabe onde. Nem você nem ele. É indeterminado mesmo, mas também é passivo. A diferença estava na igualdade com que as coisas apareciam, e da mesma forma em que iam embora também ficavam. Cansado de tantos enigmas, ele parou, como já foi dito, sem indeterminação. Bom, parado ele ficou, mas por pouco tempo: o suficiente pra que seus pensamentos parassem também e assim, voassem. Mas pensamento é bumerangue. E a porrada foi de uma vez. Parado já não dava mais pra ficar. Daí, Nanico correu. Correu bem depressa, enquanto tentava pegar o bumerangue. Vejam, sem as mãos! Mas Nanico é burro, e jogava o pensamento pra cima. Outra vez. Nanico ria, por vezes, chorava. Mas não parava... de correr. E parou. Nanico é chato. Nanico esquece das coisas e esqueceu o que, pouco a pouco, esquecia. Nanico é engraçado. Resolveu mudar e pegou o primeiro retorno. É engraçado, e não voltou. E resolveu voltar... a pensar. Mas não foi preciso. Havia uma placa. Nanico é burro. Nanico nem sabe ler. Mas Nanico pensa. E decidiu que o melhor começo era o fim. E que todo fim tem um começo, mas que é sempre melhor começar do início.

sábado, 11 de agosto de 2007

Porque eu não entendo porque eu escrevo essas coisas

Porque a proporção de água em nosso corpo é a mesma proporção de água no mundo. Porque a água do mundo tá acabando. Porque não é de pena que o mundo precisa. Porque quem não bate, leva. Porque é a lei do mais forte. Porque é água de rio. Porque foi um rio que passou em minha vida. Porque o rio desagua no mar. Porque deve ter algum que sirva. Porque está tudo planejado: metas, objetivos, prioridades e princípios. Porque agora não vai dar mais pra chorar. Nem pra rir.

Canção: Socorro
Cantora: Gal Costa
Compositor: Arnaldo Antunes

"Socorro, alguém me dê um coração/Que esse já não bate nem apanha/Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa/Qualquer coisa que se sinta/Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva/Socorro, alguma rua que me dê sentido/Em qualquer cruzamento,/Acostamento,/Encruzilhada/Socorro, eu já não sinto nada"

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Resumo

Na ida... tudo certo no aeroporto. Suspeitei. Em meio à crise, nem um pingo de azar? Peguei o avião, comi as barrinhas e o amendoim e fui até Brasília num ônibus que voa. Depois de Brasília, Belém. Depois de 4 hs... Calor. Hotel. 4 estrelas com tudo pago. Reserva? Não efetuada! Vou dormir na rua... Depois de 30 telefonemas na sexta-feira anterior era o único que eu tinha achado... E agora? Depois de ficar branco, roxo, nervoso, puto... td se resolveu, consegui um quarto. Vamos conhecer a cidade? Fomos... Bonitos lugares, mas sujos, muito sujos... Praça da República. Show de danças típicas. Eu estava no centro. Informação? Não. Ônibus. R$1,35. Mas velho, sujo, tipo 634. As Docas. Um belo pôr-do-sol. Guaraná Garoto. Sorvete Cairu. Chuva. Volta ao hotel. Quarto de hotel. Quarto de hotel. Shopping. Tou no Rio? Bob’s. Chuva. Quarto de Hotel. Cyber do Hotel. Quarto de Hotel. Jô Soares. Despertador. Vamos ao Congresso? Ônibus! Sistema de transporte precário. Qual ônibus? Informação? Não. Ananindeua? Salomé? Santarém? Nazaré? UFPA? Pres. Vargas? Nele está escrito o caminho de Ida e o de Volta? Mas ele ta indo ou voltando? Fui. “Fineza não jogar lixo no cemitério”. Congresso. Hangar. Bonito lugar. Esgoto passa no meio da rua, mas dentro tem lixeira com sensor... Palestras. Painéis. Açaí quente. Voltar? Ônibus? “Não há ruas de mão dupla. Você pega o ônibus no mesmo lugar que você salta...” Hotel. Quarto de Hotel. Cyber do Hotel. SIGA. Chuva. Quarto de Hotel. Despertador. Ônibus. Congresso. Almoço. Fila. Encontro. Conversa. Amigos? Conversa. Amigos! Balança Roubada. Almoço. Um grupo pequeno... um grande grupo. Banco. Calor. Painéis. Passeio de Barco. Chuva. Belém ao entardecer? Pôr-do-sol? Acho que ele já se pôs há um bom tempo... Rodízio da Pizza Hut. Futebol, Física, Psicologia, Pizza, Cinema, Literatura, Política, Fonética, Vida, História, Nada, Biologia, Culinária, Arte, Fotografia, Filosofia, Vida, Nada, Pizza. Hora de Partir. Táxi. Motorista não conhece a cidade, mas corre... Curva? Pra que freio? Acelera. Erra o caminho. 3 vezes. Mas chega. Quarto de Hotel. Despertador. Vamos economizar? Check-out. Pensão. Lugar legal. Barato. Mais legal ainda. Pessoas legais. Opa, muito legal! Eu pareço o neto da dona da pensão! Ela está triste com muitas coisas. Ela chora... E ela diz que chora à toa. Não é pra eu me preocupar. Tenho que ir. Congresso. Girafa? Todos aqui? Ponto de ônibus. Calor. Informação? Um paulista do Pará. “É só você observar o meu sotaque.” 2 horas de viagem: Belém. Muito pobre e muito rica. Icoaraci. Feira de Artesanato? Chuva. Restaurante. Pirarucu, tucupi, tacacá, filé ao molho madeira. Rio ou mar? Praia de Rio. Feira de Artesanato. Chuva. “Proibido estacionar. Entenderam seus burros?” Ônibus de volta? No mesmo lugar de ida! Enche, enche mais, enche muito. Pra descer? Ninguém se mexe. Empurra. Foda-se. Empurra. Espera motorista. Desce. Volta na Praça. Pensão. Boteco do Brás. Chorinho! Chopp, batata. Hambúrguer? Não tem. Coca? Não tem. Guaraná? Não tem. Fanta? Não tem. Soda? Não tem. Que refrigerante vocês tem aí? Bom, refrigerante? Acabaram todos! Se é assim... Pensão. Despertador. Centro Histórico. Calor. Prédios velhos, bonitos, acabados, reformados... Igrejas. Arte Sacra e arte moderna. O que é arte? Praça do relógio. Casa das onze janelas. “Aquilo é porta, não é janela!” Forte. “O que é enquartelamento?” Museu. Bela vista. Chuva. Belém. Bonita cidade. Ver-o-Peso. Urubus. Barcos. Bruxas. Arranca, atraí, pega, amansa... Bombons? Encomenda. Vendedores que não falam, apontam. Ônibus. Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Almoço. Chuva. Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emilio Goeldi. Animais. Plantas. Mapa? Tá escondido na entrada... Animais. Chuva. Plantas. Ônibus. Lan House. Chuva. Muita chuva. Pensão. Docas. Pato no tucupi. Navio cheio de búfalos. Vai virar. Fala. Come. Fala. Anda. Fala. Pensão. Despertador. Congresso. Painel. Pensão. Aeroporto. Bombons? Não... Atraso! Conversa. Ônibus que voa. Barrinha e amendoim. Brasília. Atraso! Conversa. Ônibus que voa. Barrinha e amendoim. Rio de Janeiro. Frio. Carona. Casa.

domingo, 15 de julho de 2007

Pra você ver...

De volta ao lar, porque o lar se encontra no mesmo lugar...
Depois de perceber que a vida poderia ser muito mais fácil, faço planos pra facilitar o que poderia ser mais vida. Depois de conhecer bons lugares e grandes pessoas, planifico fatos para que nada fique para trás e nada passe para frente. Depois de perceber que existe muita coisa fora do lugar, penso em perceber o que fazer pra colocar o lugar das coisas. Depois de pensar em decisões tomadas, resolvo esquecer para parar de decidir. Depois de reparar a importância de coisas sem importância e me importar com coisas pouco importantes, vivo pra planejar coisas, fatos, decisões, lugares e pessoas...
De volta ao lugar, porque o lugar se encontra no próprio lar...

Canção: Casa
Cantor: Lulu Santos (Lulu Santos)
Compositor: Lulu Santos
CD: Satisfação

"Mas sempre tinha a cama pronta/E rango no fogão/Luz acesa, me espera no portão/Pra você ver/Que eu tou voltando pra casa"