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sábado, 2 de abril de 2011

Revista

Idas e vindas, vidas vividas
Um raio só cai uma vez num lugar
Mas se o mundo gira e regira
Onde devo estar? Ou restar?

O passado (é tão claro) já passou
Mas há tanto pra mudar (quer trocar?)
Nem conheço você bem, tudo bem
Mas sei bem o que não dá pra ser
(Ou bem sei o que não posso ser?)

Triste, e não consigo chorar
Poderia gritar, mas prefiro cantar
Vou tentando escrever o que não se pode dizer
Vou tentando reter o que não se pode perder

Eu sonhei...
Foi ontem à noite, mas acordei
E eu já sei, não vou guardar
O que passei, não vou lembrar
Não recordar é só pensar
É só pensar... em pensar

Retratos revelam recortes
Você não é o que se vê ali
Remédios reduzem rebeldes
Eu não sei se eu estou em mim

Repasso, repenso, repranto...
Só canto
E esse é o meu recanto.

(Diego Vargas - 2006)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Poema de meia-(al)face inteira

Quando eu nasci,
um anjo meio esquisito (ou seria esquecido)...
desses meio Barroco espanhol, me disse:
- Vai Diego, ser izquierdo en la vida!

(Diego Vargas, 31/08/10)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ser Preciso


A felicidade não existe
Existem momentos felizes
Aceite o fato e facilite
Aproveite o que a vida permite
E no que se pode acreditar...
Acredite

É preciso coragem pra ser quem se é
É preciso força pra ter quem se quer
É preciso viver a vida que há
É preciso dizer o que dá pra falar

Se engana quem pensa que é fácil
Se perde quem torna difícil
Se encaixa no rumo e se leva
Levando o que pode consigo
(Levando o que peço comigo)

Bastante pode ser muito
E nada pode ser melhor
No riso ou no choro de outros
Tudo começa e acaba pior

Todos sabem. Eu já sei.
Nos faz falta mergulhar
E qualquer um pode dizer:
- Deixa o rio te levar!

Pois nem sempre nesse mundo
É possível controlar`
Pois nem sempre num mergulho
É possível se nadar

É preciso coragem pra ser quem se é
É preciso força pra ter quem se quer
É preciso viver a vida que há
É preciso dizer o que dá pra falar

Navegar é preciso...
Mas quem vive no mar?

(VARGAS, 2006)

domingo, 16 de agosto de 2009

Meu Presente

Chega como uma surpresa, não muito surpreendente, em uma semana de carnaval... Dessas que trazem de volta, numa sexta-feira, a alegria perdida na quarta. Chega e causa surpresa aos demais. Espanto, agrado e por vezes, indignação. Chega e te leva à sua apreciação pelo fato, único e simples, de chegar. No início, te tira as noites de sono... Te arranha e mordisca os dedos dos pés. E joga areia no chão da casa. E te mostra o quão bem te faz ter algo para cuidar, para se cuidar. E te preocupa, e te faz preocupar-se. Chega, fica e simboliza. E significa. Depois cresce, muda e faz estrago. E continua crescendo. E te acorda no meio de uma noite fria com saltos sobre a cama. E invade o quarto pela janela. E se joga, e te faz jogar. E continua fazendo estrago. E por vezes, ainda te arranha e mordisca os dedos dos pés. E impressiona, pelo fato de chegar, ficar e crescer. E te faz jogar coisas ao ar. E te faz correr atrás. E te faz correr na frente. E acaricia, e te faz acariciar. Chega, fica, conquista. E continua crescendo. Até que um dia adoece. E fica triste. E se isola, em um canto impossível de achar. Mas volta, mesmo fraco, sempre volta. E te faz cuidar, e te faz ser cuidado. E te faz preocupar-se e ainda, te tira as noites de sono. E volta. E voltam os saltos sobre a cama, a invasão pela janela e as noites de frio. E se equilibra em fios finos, e se joga do telhado, e reconhece e se reconhece. E te faz conhecer. E sobe em árvores, dessas que nascem de raízes acimentadas. E se esfrega. E continua crescendo. Chega, fica, simboliza, cresce, representa, apresenta, cresce, chega, fica, conquista, sai, chega, volta, fica, pula, cresce... Até que um dia se joga, do telhado, e sai, caminhando. E não volta mais. E parece voltar, a todo instante, mas não volta mais. Mas parece voltar. Mas dessa vez, não chega. E não volta mais. Mas fica. Só não volta mais.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Vem cá? Te conheço?!

- Vem cá, você poderia me ajudar com uma coisa?
- Depende da coisa, né?
- Por que tudo depende da coisa? Acho que, na verdade, tudo depende da coisa mesmo...
- Pois é, dependendo da coisa, a gente pode te ajudar... ou não...
- A gente quem?
- Quem é a gente? A gente é muita gente...
- E muita gente assim não poderia me ajudar com uma coisa?
- Depende da coisa...
- Sempre depende da coisa...
- Você já disso isso...
- Você também!
- A gente disse, então!
- Justo! E a gente não poderia me ajudar com uma coisa?
- Depende da coisa, eu já disse!
- Acho que depende da gente...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

As Aventuras de Nanico - Episódio 8: De quando Nanico se entristece

O fato de Nanico, nosso pequeno herói, gostar de uma festa já foi salientado anteriormente em algumas das oportunidades passados. O que não foi explicado ainda é que nem tudo são flores na vida de Nanico, na verdade, flores na vida de nosso pequeno herói são coisas raras. Ele nem as aprecia tanto quanto pensam! Por vezes, às vezes sem motivo aparente ou com a mais óbvia das razões, Nanico se entristece. E tudo parece entristecer no mundo de Nanico. O que também não quer dizer que nosso heróis seja um pequeno heróis depressivo em constante crise existencial. O que seria de nós se nosso herói assim o fosse? Depressivo não. Quanto ao resto, talvez. Vai saber? Nanico sabe? Nanico sabe tudo! E sabe o que é estar realmente triste, sabe o porquê de se estar triste. E por isso, valoriza mais que ninguém os momentos de alegria. Me impressiona sempre como as aventuras de Nanico sempre se convertem em manuais de auto-ajuda (no termo propriamente dito). Nanico não é triste, Nanico não é alegre. Nanico não acredita no ser. Nanico está. Consatantemente e por isso se aventura por esses mundos. Não só o seu, mas os próximos também, às vezes próximos demais, às vezes não tão próximos assim... Vai saber? Nanico sabe! Quando as aventuras de Nanico se converterão em aventuras reais? Assim que nosso mínimo heróis descobrir o que é real! Quem sabe depois disso, ou por isso, ele encontre o caminho da felicidade eterna e não precise mais valorizar pequenos momentos de alegrias. Migalhas de felicidade. Tristeza nunca mais! E vida que segue... Na nicovia!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

As Aventuras de Nanico - Episódio 7: Da criança que é Nanico

Nanico é criança. Nanico é bobo. Nanico acha que é feliz. As vezes, Nanico percebe que isso é só mais uma de suas tolices, mas Nanico prefere assim mesmo. Nanico é criança. E criança esperta. Que sabe bem o que é ser criança. Nanico se aproveita de sua infância. Nanico brinca de ser criança. As vezes, nosso heróis é criança séria, birrenta, que finge saber o que quer. Mas sempre criança e bate o pé até que quebra. Ou o pé ou a pedra. Em lguns momentos, Nanico se esquece de que é criança e isso deixa nosso pequeno herói muito triste. Mas Nanico é bicho louco, não sabe bem o que faz e logo se lembra de nunca mais esuqecer o inesquecível. Mas se é inesquecível, porque diabos Nanico esquece tanto? O mundo de Nanico já sabemos, é mundo próprio... substantivo seu. Sujeito composto. O mundo de Nanico não é mundo seu, ainda que seu. Nanico então deixa seu mundo entrar no mundo maior e Nanico esquece. Esquece que tem seu próprio mundo. Esquece de brincar. Mas tão bobo é seu, que Nanico logo volta a ser o que é. Criança. Nanico beija rindo. Nanico lê as placas, Nanico vê pessoas, Nanico ouve vozes. Nanico tira fotos, muitas fotos. Nanico gosta da cidade em noites de chuva. E do mundo em dias de sol. Grande Nanico!

domingo, 12 de outubro de 2008

Bem - Passada

E aí? Açaí!
Guaraná... Pra alegrar!
É assim... Sapoti,
Jamelão... Pra cantar!

Se não há mais aqui
Não há o que fazer
A vida me passa ao léo
Sem haver o que dizer

Os antônimos se misturam
Lado a lado ao dicionário
Todos juntos num só livro
Tudo limpo no cenário

Como o canto do canário

O meu já não canta mais
Porque bebeu em demasia
Água que passaro não bebe
Já não quero o que eu queria

Todos dizem: - Já passou!
Mas a roupa tá amassada
Eu mal sei o que ficou
Se ficou...
Nenhum, ninguém ou nada.

(diego - 15/12/05)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Por que já não há estrelas no céu do Rio de Janeiro?

Outro dia
olhando pras nuvens
no céu
foi díficil acreditar
que eram água
de mar.

(Diego - 22 anos)

sábado, 30 de agosto de 2008

4 anos... 4 anos...

Meu nome é Diego e há 4 anos eu convivo com um problema difícil de ser resolvido. Um dia me apareceu nas mãos uma ficha que dizia: “Inscrição para o Vestibular”. Eu entrei para a universidade e há 4 anos, todo dia, às 5h30 eu acordo com um barulho estranho vindo do meu celular. No começou, me pareceu que ia ser complicado e realmente foi. Tentei de tudo para melhorar minha situação, mas nada adiantava. Todo dia, contra a minha vontade, estava lá o barulho do celular e eu levantado mesmo sem querer. Quase enlouqueci! Ainda que minha mente não quisesse, meus pés me levavam ao ponto do 634. Não é pra lá! Não é pra lá! Imagina acordar com um barulho estranho e ser levado a um lugar no qual você não quer entrar durante 4 anos... 4 anos... Não é pra lá! Não é pra lá! 4 anos é muito tempo, principalmente quando as coisas não vão bem... Por isso pense bem antes de tentar o vestibular, é isso que vai decidir o que será dos seus próximos 4 anos de vida! Não é pra lá! Não é pra lá!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Bs As


Vereda. Colectivo. Subte.
Valija. Auto. Vincha.
Pollera. Campera. Remera.
Bombacha. Coger. Living. Ciber.
Empanada. Asado. Parrilla. Pancho.
Dale. Cancha. Aguante.
Lindo. Está. Algo. Re-
Vos.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Psicologia da Educação

A memória sempre foi um tema que me interessou. Mas falar das minhas memórias nunca foi fácil. Não pela falta delas. Justo ao contrário, o problema sempre foi o excesso.
(...) Bom, é melhor começar do começo. A lembrança mais antiga que tenho e que esteja relacionada a essa parte da minha vida não é das mais agradáveis. A única imagem que me vêm à cabeça é a de um menino chorando porque ia ficar longe da mãe. Esse menino sou eu. Como essas lágrimas se transformaram em prazer por freqüentar a escola eu não sei, mas sei que foi isso que aconteceu e logo eu tomei gosto pela coisa. Algumas cenas do Jardim de infância ainda me vêm à lembrança, como o dia em que eu chorei porque minha professora me trocou de lugar (aquele lugar era meu!), ou o dia em que fiz xixi nas calças de propósito porque a professora não me deixou ir ao banheiro. Lembro também de alguns pontilhados cobertos e de algumas brincadeiras no parquinho do colégio. Lembro da professora pegando na minha mão para aprender a escrever e da primeira foto da turma. Lembro também que passei um tempo em casa e que quando voltei à escola, havia outra professora em sala. Eu estudava em um colégio particular e as professoras haviam feito uma greve por aumento dos salários. Todas foram demitidas e abriram um colégio em frente ao que eu estudava, o que eu só vim entender muito depois. Depois vieram os bas, bes, bis, bos, bus...
(in: VARGAS, D.S. Texto Memorialístico. Trabalho de final de curso entregue na disciplina Psicologia da Educação II. UFRJ. 2008)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

As Aventuras de Nanico - Episódio 6: Na Mundição

Tudo indica que Nanico já tenha nascido errado. Alguns dizem que não, que ele foi ficando errado com o tempo, outros afirmam com toda certeza que errado mesmo ele não é. E ainda há os que dizem, que na verdade, Nanico é certo demais e os errados são os outros. Bom, certos ou errados, a verdade é que os outros são os outros e que esse mundo não foi feito pra Nanico. Nanico veio assim... surgiu do nada e quando viu (e quando viram) já tava aí. Nanico veio assim e segue assim. Nanico não gosta muito de fugir das coisas. Se botaram ele nesse mundo, o que ele poderia fazer? Por diversas vezes, ele pensou (e muitos dizem que ele ainda pensa) em mudar este tão seu errado mundo. Alguns até afirmam que algumas vezes ele parou de pensar e agiu efetivamente na tentativa de mudança, mas todos sabem que todas suas tentativas (de pensamentos e ações) foram frustradas... Assim que percebera que não poderia mudar o mundo em que vivia, nosso pequeno herói resolveu ser radical e decidiu. Criaria seu próprio mundo! E assim o fez. Um mundo paralelo... não uma substituição desse mundo no qual o puseram, mas um mundo reserva, tipo líbero de voleibol, que pudesse entrar e sair sempre que necessário (ou no qual pudesse entrar e sair sempre que necessário). Há quem diga que foi a melhor das decisões já tomadas por Nanico em todos os tempos de sua existência, há quem diga que nosso pequeno herói não entende nada das coisas do mundo, há os que afirmam que Nanico já se mudou pro mundo reserva e não volta mais, há os que se perguntam do porquê dessa mundição toda, e há os que respondem. Há ainda os que tão cagando pra Nanico... (inclusive, alguns afirmam que Nanico é um desses!). A verdade é que Nanico sabe bem o que faz, e sabe os mundos que faz... E muita gente sabe disso. O que pouca gente sabe, é que Nanico, ainda que tenha sido jogado nesse mundo que não fora feito pra ele, ainda não desistiu de mudá-lo e cada que vez que ele se muda pro seu mundinho reserva , volta com novos planos de fazê-lo.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

À sombra de uma amendoeira

Um belo dia, ele resolveu descansar. Se encostou no primeiro banco que havia construído e deitou. Antes, deu uma bela espreguiçada... e deitou. Sem perceber que o banco estava embaixo da amendoeira que havia plantado anos antes de aprender a construir bancos. Mas deitou. E dormiu. Dormiu até acordar. Ao acordar viu que muita coisa estava diferente. Havia uma amendoeira encima dele. Havia descansado bastante. Olhou para cima e viu que sol estava um pouco mais à direita ou que ele estava um pouco mais à esquerda... Uma amêndoa caiu bem no meio da sua testa. Deitou e dormiu mais uma vez. Dessa vez, sem se espreguiçar... Devia estar realmente cansado, mas não percebia. Sonhou. Sonhou com amêndoas, com bancos e sóis. Havia umas nuvens também... Começou a brincar com elas, a moldar coisas, adivinhar coisas... Brincou até perceber que já estava acordado. Mas as nuvens ainda estavam lá. E estavam também a amendoeira, as amêndoas, o banco, o sol, o céu e ele. Ele também estava lá. E o sono também. Mas já não queria dormir. Levantou-se, apoiou-se no banco e subiu na amendoeira. Mais uma vez tudo estava diferente. Não conseguia entender... Já não se lembrava mais do porquê da amendoeira. Não sabia porque havia construído aquele banco. O sol... cada vez mais à direita. Preferia as amêndoas rosas, mas aquelas eram amarelas. Preferia os bancos de ferro, mas só sabia trabalhar com madeira. Um banco de praça no quintal de casa. Abaixo de uma amendoeira. Foi a idéia que tivera um dia. Mas já não sabia mais porque. Olhou as nuvens... Nuvem-elefante, nuvem-borboleta, nuvem-casa, nuvem-amendoeira, nuvem-nuvem, nuvem-almofada... Se recostou num galho e dormiu. Sonhou. Sonhou mais uma vez com amêndoas, com bancos e sóis. E com nuvens também. Brincava com as nuvens. Queria acordar, parecia ter entendido... Acordou... Levantou-se e pulou.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Meus oito anos...

O Saci

O Saci faz pirraça
A aranha uma caça
O homem faz chapéu
A abelha, mel.

Se a abelha jogar mel
Bem naquele chapéu
O Saci faz pirraça
Com a aranha que fez uma caça

Na caça está a abelha
É a mesma abelha que jogou mel
No danado do homem
Que fez o chapéu.

(Diego - 8 anos)

domingo, 2 de março de 2008

As Aventuras de Nanico - Episódio 5: 7 da manhã

Foi uma dessas noites que começam com chuva forte e terminam com sol a pino. Nanico acordou cedo. Nanico tinha ido dormir pouco mais da meia-noite, mas despertou cedo. Nanico gostava de dormir e por isso mesmo, odiava acordar cedo. E odiava a si mesmo quando acordava cedo sem precisar. Acordar era sempre uma necessidade pra Nanico, mas quando não era preciso, não fazia falta. Nanico não é do tipo que acorda de mau-humor, mas acordar cedo (e mais, sem precisar) era algo que podia fazer seu humor mudar durante o dia. Tentou dormir mais uma vez. Depois de várias tentativas e técnicas aprendidas ao longo dos anos de experiência, desistiu e resolveu assumir a idéia de que era um babaca e havia acordado cedo, mesmo sem precisar! Talvez tenha sido o calor, talvez o ventilador, talvez um barulho na rua, talvez não fosse tão babaca assim... Precisava aproveitar o tempo perdido. Já que havia acordado, teria que fazer algo... Tomou banho, escovou os dentes, café-da manhã, ligou a Tv pra desligá-la em seguida. Só Nanico estava acordado... Tentou ler algumas coisas, mas a idéia de que havia acordado cedo, mesmo sem precisar não deixava ele se concentrar... Estudar? Nem pensar... Acordar cedo para estudar só o tornaria mais babaca... E logo agora que já havia se convencido do barulho da obra do vizinho. Chegou a lembrar-se do estrondo que foi a chegada dos tijolos. Uma volta pelo quarteirão? Seria bom. Até foi, mas só Nanico estava acordado... E a noite parecia não acabar. Liga a Tv, desliga a Tv, liga o rádio, desliga o rádio, pega o violão, cantarola algo, grita, pula, faz exercício... Todos estavam dormindo e antes que percebesse, já era hora do almoço... Já que havia acordado cedo, poderia preparar algo... Não havia muitas opções. Fez o básico mesmo, e comeu. Sozinho, mas comeu. E comeu bem até. Comeu tanto que a comida começou a pesar em seu estômago... É, até que uma sesta depois do almoço não faria mal...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

As Aventuras de Nanico - Episódio 4: Ano Novo, Vida Nova

Nanico gosta mesmo é de uma festa! Nanico gosta também de estar com amigos, de reunir a família, pequena família, ainda, mas Nanico gosta. Nanico não está interessado se as coisas vão mudar, apesar de querer que elas mudem brevemente. Nanico sabe que não é com festa que elas vão mudar, mas se amarra em celebrar uma possível mudança... Possibilidades. Nanico gosta de coisas possíveis (e de algumas impossíveis também). Mas as possíveis são as preferidas. Mesmo quando elas (as coisas possíveis) não preferem ele (Nanico). Nanico gosta mesmo é duma festa! E dos pretextos que as pessoas arrumas para fazê-las. Se as coisas vão mudar já não importa mais, não durante a festa. O que rege a alegria de Nanico é a esperança. A que não espera motivos pra esperar a mudança. A que se cansa de esperar e comemora antes da hora. Ou na hora exata de se comemorar. Depois é sempre pior! E Nanico sabe disso. Sabe como Ninguém. E olha que Ninguém sabe muita coisa... Ninguém sabe que Nanico não acredita em alegria ou tristeza. E Ninguém sabe que Nanico gosta mesmo é duma boa festa!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

As Aventuras de Nanico - Episódio 3: Em busca da hora perdida

Pois é, dessa vez Nanico se fudeu legal! Logo você Nanico, sempre controlador de seu próprio tempo, foi cair nessa besteira... Faça mil favor - já diria a sábia vózinha do nosso pequeno grande herói. E quem não faria mil favôs àquela pobre velhinha... Mas não tente fugir... Nada de voltar no tempo, Nanico. Não adianta chorar o leite derramado. Sua hora já passou e você nem viu... E agora, o que fazer? Nanico é burro, Nanico não sabe. Nanico nunca dorme, mas dessa vez Nanico dormiu e quando viu: cadê a hora? A hora, Nanico? Cadê? Já foi... Já havia passado. Te roubaram uma hora, Nanico, e você nem viu... Maldito tempo! Quem inventou esse negócio de hora é gênio mesmo... Ou é anta! Nanico não vive sem relógio, mas de que adianta o relógio, se quando querem lhe roubam uma hora e ele nem vê? Vês, Nanico? Buscas a tua hora... Mas que hora perdida é essa? Se o mundo continua girando da mesma maneira... sempre ao redor de Nanico! Como essa hora pôde passar por Nanico e Nanico não a pôde sentir? Ver, perceber... Verdade, verdade... Nanico é lento... Nanico controla o tempo, sem saber que o tempo lhe controla... E quem não controla Nanico? E quem não controla, Nanico? Pois é, segue teu caminho, vai em busca de tua hora perdida. Ou aprenda a viver sem ela! Sabes onde encontá-la? Pois segue teu rumo... Pede pra cagar e vai embora... Vai ser droit na vida! (...) Nunca serão!

domingo, 23 de setembro de 2007

As Aventuras de Nanico - Espisódio 2: Acorda, Nanico!

Nanico sempre teve problemas com insônia. Na verdade, a insônia nunca foi seu problema. Insônia para Nanico era solução. O pior era quando o sono vinha, mas esquecia de trazer a vontade de dormir. Dormir sempre foi perda de tempo para nosso pequeno herói. Nanico sempre gostou de ter tudo ao seu controle; dormir era perder mais que sempre o controle de si. Quando dormia, Nanico não podia pensar. E sem pensar, Nanico não era. Quem era Nanico? Nanico pensava todas as noites. E todos os dias. Mas Nanico sempre se esquecia. Só que nem só de pensamento vive Nanico. Às vezes, Nanico dormia também. E como Nanico dormia. Nanico dormia muito. Mas Nanico acordava. Ele sempre acordava. Nanico dormia de olhos abertos e acordava piscando os olhos. Engraçado como Nanico nunca soube quando dormia e quando acordava. Nanico é burro e nem sabia que pensava mesmo dormindo. Nanico nunca confundiu as coisas. As vezes, se deixava levar, mas sempre sabia que estavam levando. Ou pelo menos, pensava que sabia. Nanico sempre sabe das coisas. Nanico não precisa se apresentar. Nanico se apresenta. Nunca há decepção se não há expectativa. E Nanico acordava. Nanico sempre acorda. Nanico nunca confundiu as coisas. E desconfundiu tudo mais uma vez. Nanico sonha, realizando e realiza, sonhando. Dorme acordado, mesmo com insônia. Insônia pra Nanico nunca foi problema, sempre foi a solução. E Nanico foi dormir mais uma vez...